
Créditos: Michelle V. Agins/The New York Times
As redes sociais, com destaque para o Instagram, estão inundadas com fotografias de pratos, ou #foodstagrams. Para muitos é quase um ritual tirar uma fotografia à comida e partilhar, antes de começar a comer. Um artigo do New York Times sugere que esta tendência se transformou. Hoje são cada vez mais os ‘chefs’ que dão prioridade à aparência da comida, para que esta seja fotogénica, em detrimento do sabor.
O autor explica que a "fotografia de comida digital", direccionada para a partilha nas redes sociais ou blogues, é tanto uma ferramenta de pesquisa, que veio acelerar a propagação de tendências culinárias pelo mundo inteiro (sobretudo no sentido estético), como uma ferramenta de ‘marketing’ barata. A partilha nas redes sociais tornou-se tão ou mais importante do que o ‘word-of-mouth’ (passa a palavra), excepto que, neste caso, a notícia é a fotografia. O autor enumera alguns dos sintomas desta viragem, nomeadamente a reorganização de certas cozinhas, com menos espaço destinado à preparação e mais espaço para as bancadas onde é feito o empratamento, e a preferência pela comida estática, que esteja sempre pronta a ser fotografada.
Pete Wells, autor da crítica, afirma que “como qualquer género de cozinha, a cozinha para a câmara fotográfica varia muito em qualidade, mas, na sua forma mais pura, é também fotogénica de uma forma requintada e particularmente insípida e sem vida”. Este refere que muitas vezes se depara com pratos cuja escolha de ervas aromáticas mais parece o resultado de uma lotaria do que propriamente do gosto do ‘chef’ e brinca que os criadores destes pratos parecem ter estado a estudar o Instagram de René Redsepi, ‘Chef’ do restaurante dinamarquês Noma.
Wells conclui num tom positivo, lembrando que quando um prato é bom, as pessoas também vão ter vontade de o partilhar. CLM